Ia remando um
barqueiro velho, embora seguisse a correnteza das águas; um moço que à beira do
rio estava brincando, pôs-se a escarnecer dele: Por que te afadigas assim? Para
que remas? O correr das águas basta para levar por diante a tua casca de noz.
Dá-ma que eu te vou mostrar. O barqueiro, que era velho e experimentado,
sorriu-se e respondeu: Se te der a minha barca, e fizeres o que dizes,
perdes-te. — Pateta! Tornou o moço — Pois toma lá, disse o barqueiro saltando
em terra; dá-me a tua lição; sempre se está em idade de aprender.
O moço saltou no barco, e
largando os remos e leme, pôs-se a cantar. A água levou a casquinha de noz com
excessiva impetuosidade, e arremessou-a de encontro a uma pedra. Com o abalo
interrompeu o moço o seu cantar, viu o perigo, lançou mãos dos remos e do leme;
atordoado, não soube como haver-se, implorou o auxílio do velho barqueiro; mas
já era tarde. De encontro às pedras o barco quebrou-se, o moço morreu afogado.
MORALIDADE: O imprudente
arremessa-se a perigos ocultos que o homem prudente vai desde princípio
evitando.

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