Era uma vez uma mosca e a
formiga, altercavam (se debatiam, discutiam) sobre nobreza e
fidalguia. Eu, sim, dizia a mosca, eu sou fidalga; vivo sem
trabalhar, passeio todo o dia por onde quero, janto à mesa dos reis,
entro nos templos, pouso nos lugares mais sagrados; as faces, o colo da dama
mais formosa e recatada são meus tronos.
— É assim??, diz a
formiga, e não te invejo; de toda a parte te enxotam por imunda, todos te
praguejam por importuna, e mais vives em esterqueiras do que em palácios; mas
quando vem o frio, o que é de ti? Ficas mirrada (encolhida) pelas paredes.
Pois eu trabalho sempre, e sem descanso; aí a minha nobreza a ninguém
importuna, e não há estação que me ache desprovida.
MORALIDADE: Entre o
parasita e o homem laborioso que com o suor do seu rosto ganha parco alimento,
vai a diferença que separa a mosca da formiga. Trabalhai, como esta; conquistai
pelo trabalho a doce independência, ganhareis, em duplo galardão a estima
própria e a de todos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário